Tem havido um aumento estranho na quantidade de mosquitos? A culpa é da iluminação pública.

2026-06-08

Todos os outonos, os mosquitos Culex, principais vetores do vírus do Nilo Ocidental nos Estados Unidos, entram em hibernação com a diminuição das horas de luz do dia. No entanto, um novo estudo descobriu que até mesmo luzes de quintal podem atrasar o sono desses mosquitos, dando-lhes mais oportunidades de picar.


O estudo, publicado recentemente no *Journal of Insect Physiology*, indica que a luz artificial à noite prejudica severamente a capacidade dos mosquitos de hibernarem, potencialmente prolongando a temporada de doenças à medida que as cidades ficam mais iluminadas. "Este estudo é muito convincente", disse Dina Fonseca, da Universidade Rutgers.


Com a chegada do outono, as larvas de mosquito eclodem e se transformam em mosquitos adultos, armazenando energia ativamente e se preparando para passar o inverno em locais frescos e escuros, como porões e cavernas. Os cientistas sabem há muito tempo que a redução das horas de luz do dia é um sinal fundamental para que os mosquitos entrem em hibernação, um estado conhecido como diapausa.


Estudos iniciais em laboratório mostraram que a luz artificial de baixa intensidade pode interferir com os mosquitos e atrasar a diapausa. Então, será que o mesmo fenômeno ocorre nos ambientes mais complexos das cidades?


Para encontrar a resposta, pesquisadores colocaram pequenos recipientes para a criação de larvas de mosquito nos quintais de moradores de Columbus, Ohio. Alguns foram colocados diretamente sob luzes externas existentes, enquanto outros foram escondidos em cantos naturalmente escuros dos mesmos quintais. Depois que as larvas se desenvolveram em adultos, os pesquisadores coletaram esses recipientes para testar se os mosquitos em seu interior haviam entrado em diapausa ou ainda estavam em sua fase ativa, de alimentação sanguínea e reprodução.


O estudo mostrou que, em setembro, a proporção de mosquitos criados sob luz que entraram em diapausa foi cerca de um quarto da proporção de mosquitos criados no escuro. Em outubro, o contraste tornou-se ainda mais acentuado: todos os mosquitos no escuro entraram em diapausa, enquanto 59% dos mosquitos expostos à luz permaneceram ativos.


A poluição luminosa tem um efeito inibitório muito mais forte sobre a hibernação do que a temperatura, disse Lydia Fyie, da Universidade do Maine, autora principal do estudo. Mesmo níveis de luz de apenas 0,87 lux (aproximadamente equivalentes à luz das estrelas à noite) foram suficientes para desencadear a atividade dos mosquitos. Se os mosquitos permanecerem ativos por períodos mais longos, terão mais oportunidades de contrair e transmitir doenças. Isso também significa que mais mosquitos podem se reproduzir antes do inverno, levando a uma população maior de mosquitos na primavera seguinte e a uma população ainda maior durante o verão.


No entanto, Fonseca aponta uma limitação fundamental do estudo: ele não utilizou mosquitos capturados na natureza, mas sim uma população de mosquitos Culex criados em laboratório, que foram cultivados por múltiplas gerações em condições artificiais e podem apresentar respostas diferentes. Ela reconhece, porém, que os mosquitos Culex selvagens são muito pouco cooperativos em ambientes artificiais, o que torna qualquer pesquisa com eles em laboratório extremamente difícil.


Os pesquisadores afirmam que o próximo passo será realizar um monitoramento sazonal de longo prazo das populações de mosquitos selvagens em ambientes com alta e baixa luminosidade, acompanhando as mudanças no início e no fim de sua diapausa ao longo de muitos anos.


“Há cada vez mais evidências de que a luz noturna tem um impacto significativo na biologia e no comportamento dos mosquitos”, afirma Katie Westby, da Universidade de Washington em St. Louis. “Quantos mosquitos irão prolongar seu período de atividade e o que isso significa para sua hibernação ainda é uma questão em aberto.”


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